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ALPINISMO
por Waldemar Niclevicz

Com o crescente interesse pelas atividades ao ar livre, o alpinismo vem ganhando cada vez mais popularidade no Brasil, o nde recebe também a denominação de montanhismo. É importante salientar uma diferença que se adotou no Brasil entre estes dois conceitos. Montanhismo seria a prática de atividades em regiões montanhosas, como caminhadas e acampamentos, porém sem a necessidade de equipamentos específicos. Já o alpinismo se refere ao ato de escalar uma montanha, seja nos Alpes ou em qualquer outro lugar, usando para isso equipamentos técnicos, como calçados especiais, cordas e grampos, equipamentos estes tanto mais sofisticados quanto maior a dificuldade a ser enfrentada. Sendo assim, o alpinismo não se limita somente aos Alpes, mas também a todas as montanhas da Terra, embora tenha se tentado utilizar neologismos como "pirineismo", "andinismo" e "himalaismo", que não prosperaram.

A história do alpinismo se perde na antigüidade, entre tribos primitivas que adoravam as montanhas como refúgio dos deuses, exércitos que cruzavam cordilheiras em busca de liberdade e poder, poetas e monges que procuravam inspiração entre os picos mais escarpados. A maioria dos resultados destas primeiras experiências foram relatos assustadores, o nde o homem impressionava-se por fenômenos naturais ainda desconhecidos, aos quais se atribuía uma origem misteriosa, divina, ou até infernal.

A curiosidade humana foi se aguçando em relação as montanhas até os idos do século XVIII. O surgimento do iluminismo levou o homem ao desejo de conhecer melhor a si mesmo e ao mundo que o rodeava. Os mares do mundo já haviam sido percorridos, as terras descobertas, mas as grandes cadeias de montanhas estavam completamente inexploradas. Assim sendo, a conquista das montanhas representava um meio para realizar certas experiências e alcançar uma verdade que, até então, parecia ter-se querido ocultar do homem.

Este desafio foi aceito por Horace Saussure, naturalista, físico e professor de Filosofia na Universidade de Genebra. Uma montanha constituía para ele uma verdadeira obsessão: o Mont Blanc, de 4.807m de altitude, ponto culminante dos Alpes Europeus, encravado entre a França e a Itália. Saussure imaginava que, se chegasse a escalar este pico, poderia realizar inúmeras experiências científicas que lhe proporcionariam uma merecida fama. Seguiu então em 1760 para o vale de Chamonix, que se estende no lado francês do Mont Blanc, oferecendo uma grande soma em dinheiro para aqueles que o ajudassem na escalada. Foram inúmeras tentativas para, somente após 26 anos, Saussure ter o seu grande sonho realizado. A escalada do Mont Blanc aconteceu no dia 8 de agosto de 1786 pelo médico Michel-Gabriel Paccard e pelo pesquisador de diamantes Jacques Balmat. Um ano depois o próprio Saussure logrou chegar no cume do Mont Blanc, guiado por Jacques Balmat e acompanhado por 17 homens. Tal número de acompanhantes, era necessário devido a grande quantidade de equipamentos científicos, com os quais se realizaram experiências durante as quatro horas e meia que se permaneceram no cume.

Embora o marco inicial do alpinismo realmente tenha sido a escalada do Mont Blanc, uma outra montanha desempenhou um papel fundamental para que ele se afirmasse como esporte. Trata-se do Matterhorn, como é chamado na Suíça, ou Cervino, como é chamado na Itália. Seus 4.478m acham-se espremidos entre estes dois paises e foram vencidos pela primeira vez em 1865 pelo alpinista inglês Edward Wimper, culminando a idade do ouro do alpinismo. Nesta época os ingleses praticamente revolucionaram as técnicas usadas anteriormente, buscando as encostas mais empinadas e superando obstáculos que jamais haviam sido enfrentados.

Após a escalada das maiores montanhas dos Alpes Europeus, o homem partiu para as desconhecidas montanhas dos outros continentes. Assim, em 1889, era escalado o Kilimanjaro na África, em 1897 o Aconcágua, na América do Sul, em 1913 o McKinley, na América do Norte.

O ano de 1936 foi o próximo grande marco para o alpinismo mundial. Uma expedição britânica/americana consegue superar os 7.816m de altitude do Nanda Devi, a 25ª maior montanha do mundo, situada na Índia. Foi um êxito sem precedentes, não somente porque se tratava da mais alta montanha escalada até então, mas porque marcava o início das conquistas realizadas no Himalaia. O próximo feito histórico foi a escalada do Annapurna, no Nepal, com 8.091m, o primeiro oito mil a ser vencido pelo homem (existem apenas 14 montanhas no mundo com mais de oito mil metros de altitude).

Coroando a época das conquistas, por fim, acontece a mais esperada de todas elas. No dia 29 de maio de 1953, e após 32 anos de tentativas, o homem chega pela primeira vez aos 8.848m do Everest, o Topo do Mundo. Os heróis deste feito glorioso foram o neozelandês Edmund Hillary e o nepalês Tenzing Norgay, participantes de uma expedição britânica.

O ALPINISMO NO BRASIL
por Waldemar Niclevicz

A história do alpinismo no Brasil teve sua primeira manifestação em 1856, quando José Flanklin da Silva escalou o Pico das Agulhas Negras, de 2.787m, situado no maciço de Itatiaia MG/RJ. Anos depois, em 1871, registrou-se a escalada do Pão de Açucar por alunos da antiga Escola Militar da Praia Vermelha. Porém, o marco inicial do alpinismo brasileiro acabou se tornando a iniciativa de um grupo de paranaenses, liderados por Joaquim Olímpio de Miranda, que decidiu escalar o Maciço do Marumbi, situado na Serra do Mar PR. O cume principal, com 1.547m, denominado deste então Olímpio, foi alcançado no dia 21 de agosto de 1879. As escaladas das montanhas brasileiras foram aos poucos se sucedendo, culminando com a conquista do Dedo de Deus, no Rio de Janeiro, em 9 de abril de 1912. Esta expedição foi chefiada por Teixeira Guimarães, seus companheiros enfrentaram passagens tão difíceis para a época, que a escalada só foi repetida 20 anos depois. Não poderia se deixar de mencionar a conquista do ponto culminante do Brasil, o Pico da Neblina, no Amazonas, com 3.014m, que foi escalado em 1965, por José Ambroso Miranda Pombo.

Atualmente no Brasil destacam-se três estados que concentram a maioria dos alpinistas: Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo. Naturalmente o Rio de Janeiro concentra a maior parte dos alpinistas, pois todo o seu estado está repleto de afloramentos, com rocha de excelente qualidade. Em segundo lugar vem o Paraná, também beneficiado pelas intrusões graníticas da Serra do Mar, além de outros afloramentos no interior do estado. Em terceiro lugar vem o estado de São Paulo, o nde se destaca o Maciço da Pedra do Baú, em São Bento do Sapucai. Os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais, embora com a presença menor de montanhas, também contam com uma boa quantidade de praticantes.

Um dos fatores, que certamente vem ajudando o alpinismo a conseguir novos adeptos no Brasil, vem sendo a realização de campeonatos de escaladas em paredes artificiais, denominado estilo in door. Várias academias de ginástica das grandes cidades já estão equipadas com esta pequena montanha dentro de seus ginásios, o nde são simulados os mais diversos obstáculos que se enfrentam em uma escalada em rocha. No exterior esta prática, que facilita o treinamento de todo alpinista, já está muito propagada. Na Europa ocorre anualmente o Campeonato Mundial de Escalada in door, e estuda-se a proposta de incluir este estilo de escalada nos esportes olímpicos.

COMO PRATICAR, DICAS
por Waldemar Niclevicz

Dentro do alpinismo, o estilo que mais se desenvolveu no Brasil foi a escalada em rocha, logicamente porque não possuímos montanhas nevadas. Porém, mesmo as montanhas brasileiras sendo de altitudes modestas, possuem em algumas regiões uma verticalidade impressionante. É justamente esta verticalidade, aliada ao número de saliências e reentrâncias que se encontram na parede rochosa, que define o grau de dificuldade a ser superado. Existem tabelas padronizadas mundialmente que classificam cada uma das rotas de escaladas de acordo com o seu grau de dificuldade. O alpinista, antes de iniciar uma escalada por determinada via, pode antecipadamente saber o quanto será exigido e ter uma idéia real de seus limites. Isto também acontece nas escaladas em gelo, quando todo alpinista precavido, busca antecedentes sobre a montanha que pretende enfrentar, sanando antes mesmo da própria escalada, deficiências materiais e exigindo de si mesmo um preparo físico e técnico maior.

Quanto mais complexa a escalada, mais é exigido do alpinista e de seus equipamentos. Somente após muita experiência, e após a aquisição de equipamentos eficazes, além, é claro, de grande habilidade no manejo destes equipamentos, é que um alpinista pode se lançar a um grande desafio.

Existem uma série de técnicas e equipamentos que foram desenvolvidos cientificamente, e que garantem total segurança, desde que usados corretamente. Infelizmente, já que o alpinismo é um esporte perigoso, diversos acidentes vem acontecendo, alguns fatais, inclusive no Brasil. As estatísticas mostram que quase todos estes acidentes são frutos de imprudências e, às vezes, da completa falta de conhecimento das regras mais elementares de uma escalada. Por isso é recomendado, para aqueles que desejam ingressar nesta fantástica arte de superar as alturas, à procura de um clube ou de um bom guia de montanha, com referências, para que não venha a ter sérios problemas no futuro.

Naturalmente, para ser um alpinista, é necessário ser um amante das montanhas, e para que este amor seja eterno e verdadeiro, o contato inicial deve vir aos poucos. Primeiro é necessário estar habituado às caminhadas, gostar de acampamentos, realizar subidas íngremes por encostas pronunciadas. Somente depois de criar intimidade com este ambiente, possuir rusticidade para poder enfrentar o frio, o vento e as tempestades, é que valerá a pena começar a desvendar o desafio de escalar uma parede vertical.

Desde os tempos das primeiras conquistas muita coisa mudou no alpinismo. Diversos tipos de estilos foram surgindo, cada qual adaptando-se a própria configuração de suas montanhas ou, às preferências de seus praticantes. O que realmente não mudou é a vontade de escapar das condições de vida das grandes aglomerações urbanas e das limitações impostas pela sociedade moderna, assim como ficou invariável o desejo de se confrontar de perto com as forças da natureza. Continua sendo um esporte para todos que amam a aventura, a liberdade de seguir seu próprio caminho, e a contemplação da natureza em seu aspecto mais selvagem.

CLUBES E LOJAS DE ALPINISMO

ACADEMIAS DE ESCALADA
por Waldemar Niclevicz

O alpinismo, tornando-se realidade, motivou a formação de clubes alpinos nos países em que mais ganhava expressão. Em 1857, surgiu na Inglaterra a primeira associação de alpinismo do mundo, o The Alpine Club. Em 1862 surgiu a Associação Alpina Austríaca e, nos anos seguintes, o Clube Alpino Suíço, o Clube Alpino Italiano, a Associação Alpina Alemã e o Clube Alpino Francês.

Atualmente existem associações de alpinismo em quase todos os países da Terra. Somente na Europa Ocidental existem mais de um milhão e meio de alpinistas organizados, e no Japão são mais de cinco milhões de alpinistas federados.

Igualmente no Brasil, após os feitos heróicos das primeiras conquistas, os alpinistas começaram a se organizar em associações. A primeira entidade a ser criada foi o Centro Excursionista Brasileiro, em 1919, no Rio de Janeiro. Mais tarde surgiram o Centro Excursionista do Rio de Janeiro, em 1939, o Círculo dos Marumbinistas de Curitiba, em 1943, e o Centro Excursionista Carioca, em 1946. Outros grupos continuaram se organizando, destacando-se o Clube Alpino Paulista, em São Paulo, e o Clube Paranaense de Montanhismo, em Curitiba, mas, devido a falta de uma federação nacional, estas associações se deparam com inúmeros problemas que dificultam a propagação do esporte.

As lojas que vendem equipamentos e as academias de escalada "in door" também desempenham um papel importante, servindo de ponto de encontro, divulgação de cursos e indicação de guias.

Confira a lista dos principais clubes, academias e lojas. (Para incluir o seu contato nesta lista, basta enviar dados por e-mail):

Associação Porto-alegrense de Escalada, Canhoismo e Alta Montanha: www.apecam.com .

Revista eletrônica de Escalada e Montanha: www.hangon.com.br

Federação de Esportes de Montanhas do Estado do Rio de Janeiro www.femerj.org

Clube Paranaense de Montanhismo
E-mail:
cpm@ieg.com.br

Clube Excursionista Carioca
Rua: Hilário de Gouveia, 71/206 Copacabana - RJ Cep: 22040-020
www.carioca.org.br
Fone: 021 255-1348

Clube Excurisionista Light, RJ, www.geosfera.com.br/cel

Centro Excurisionista Brasileiro, RJ, www.ceb.org.br

Centro Excuricionista do Rio de Janeiro www.cerj.org.br

Centro Excurisionista Guanabara www.ceg.org.br

Centro Excursionista Teresopolitano
Av: Lúcio Meira, 555 loja 23 Centro - Teresópolis - RJ Cep: 25953-003
Fone: 021 643-1444
E-mail :
cet@m7.net

Clube Alpino Paulista
Rua: Dr. Amâncio de Carvalho, 86 Vila Mariana - São Paulo - SP.
Fone: 011 574-5235
E-mail:
cap@webventure.com.br

Climb. Expedições
Av: dos Imáres, 788 - Moema - SP Cep: 04085-001
www.stbnet.com.br/climbexpedições

Clube e Entidades Associação Cânions da Serra Geral, ACASERGE
Rua: Edmundo Gardolinski, 120 Porto Alegre - RS Cep: 90480-130
Fone: 51 325-1069
E-mail:
acaserge@hotmail.com.br

Amita - Associação de Montanhismo Itaguaçu
E-mail:
amita@floripa.com.br
www.iaccess.com.br

Academia de escalada 90 Graus
Rua: João Pedro Cardoso, 107 Aeroporto - SP Cep: 04355-000
Fone: 011 5034-8775
E-mail:
90graus@webventure.com.br

Academia de escalada Casa de Pedra
www.casadepedra.com.br

Acampamento Base
Rua: Bento de Andrade, 245 Jardim Paulista - SP Cep: 04503-010
Fone: 011 3052-5053
E-mail:
acampamentobase@webventure.com.br

HALF DOME
Rua: Dr. Vila nova, 321 Vila Buarque
Fone: 011 255-4331
Al. Dos Nhambiquaras, 946 - Moema -SP
Fone: 011 5052-8082
E-mail:
info@halfdome.com.br
www.halfdome.com.br

K2 Equipamentos Esportivos
Rua: Antonio Carlos, 401 Cerqueira César - SP Cep: 01309-011
Fone: 011 284-1260
E-mail:
k2equipamentos@webventure.com.br

Mont Camp Av: Rio Branco, 50 sobre loja - Novo Leblon - Shopping Millenium
Rua: Teixeira de Melo, 21 sobre loja - Ipanema.
Fone: 021 287-1143 021 438-8358 e 438-0664
E-mail:
montcamp@montcamp.com.br
www.montcamp.com.br

Manaslu Equipamentos
Rua: Guaraná, 130 Cep: 81560-200 Fone: 041 369-1551 Curitiba - PR

Casa do Montanhista
Curitiba Rua: Marechal Deodora, 630 - loja 25 R Shopping Itália
Fone: 041 3232-0700 Cep: 80010-010
São Paulo Alameda Campinas, 244 - Bela Vista Cep: 01404-001
Fone: 011 289-6290
E-mail:
montanhista@super.com.br
www.casadomontanhista.com.br

Acampar
Rua: Minas Gerais, 44 - Jd. Cecília Campo Magro - PR Cep: 83535-000
Fone: 41 677-5950
E-mail:
info@acampar.com.br

Um Sonho Chamado K2 - A Saga de Waldemar Niclevicz na Montanha da Morte
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Vídeo da conquista do Everest por Niclevicz pelo Tibet, imperdível!
Niclevicz na via Cavalo Louco, Pão de Açúcar, Rio de Janeiro. Foto de Flávio Aguiar.
Niclevicz realizando uma oposição para entrar na Chaminé da Unha, Agulha do Diabo, Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro. Foto de Flávio Aguiar.
Marcelo Santos escalando a Trango Tower, Paquistão. Foto de Niclevicz.
O El Capitan, escalado por Niclevicz como treinamento para a Trango Tower, Vale do Yosemite, EUA. Foto de Niclevicz.
Abele Blanc no início da escalada do Gasherbrum, Paquistão. Foto de Niclevicz.
Niclevicz escalando o Shisha Pangma, Tibete. Foto de Abele Blanc.
Flávio Aguiar na Ponta do Tigre, observando o Abrolhos, Conjunto do Pico do Marumbi, Serra do Mar, Paraná. Foto de Niclevicz.
 

 
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