Niclevicz no cume do K2 (8.611m) Trango Tower
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Clique para ver a foto ampliada! O PROJETO K2
O K2 é a segunda maior montanha do mundo e está situado no norte do Paquistão, num maciço de montanhas que se chama Karakorum, a porção ocidental e mais selvagem do Himalaia. Até hoje, apenas 185 homens conseguiram chegar no alto dos seus 8.611 metros de altitude e 54 morreram durante as tentativas, o que o leva a ter o apelido nada agradável de "Montanha da Morte" e também a ser considerado a montanha mais perigosa e difícil de ser escalada do mundo.

Fica mais fácil entender o perigo e a dificuldade de uma escalada ao K2 ao compará-lo com o próprio Everest, apenas 237 metros mais alto. No topo da maior montanha do mundo já estiveram mais de mil pessoas, sendo a média de uma morte para cada oito êxitos. E enquanto a cada ano pelo menos 400 pessoas tentam escalar o Everest, apenas cerca de 20 ou 30 alpinistas desafiam o K2.

Eu fiquei sabendo da existência do K2 em 1989, pouco antes da minha segunda escalada do Aconcágua. Ao passar por Buenos Aires, encontrei uma livraria repleta de livros de alpinismo e comprei vários deles. Era, de fato, a primeira vez que eu me admiraria com histórias épicas quase inacreditáveis, o nde alpinistas contavam detalhes de seus confrontos com as maiores montanhas do mundo. Foram também em dois daqueles livros que vi pela primeira vez a menção do nome do alpinista italiano Reinhold Messner, o primeiro homem a escalar o Everest sem oxigênio, em 1978, repetindo a escalada dois anos depois novamente sem oxigênio, mas absolutamente sozinho. Foi então, entusiasmado pelos livros de Messner, que nasceu em mim o sonho de escalar o Everest, ao mesmo tempo que também começou a surgir um profundo respeito pelo K2. Em um dos seus livros eu leria: "O K2 é um lugar esquecido e amaldiçoado por Deus".

Após a tentativa frustrada de 1991, felizmente consegui escalar o Everest em 1995. Como já havia o desejo de escalar o Mc Kinley no Alasca, o Vinson na Antártida e o Kilimanjaro na África, decidi então completar os Sete Cumes do Mundo, a escalada da maior montanha de cada um dos continentes, colocando também como objetivos do mesmo projeto a escalada do Elbrus na Rússia e do Carstensz na Ilha de Nova Guiné. Foi justamente com a escalada do Cartensz que finalizei os Sete Cumes, em setembro de 1997, e quando também resolvi revelar o meu desejo de escalar o K2, desejo que já estava amadurecendo desde 1995, quando eu e meu amigo italiano Abele Blanc decidimos que um dia iríamos juntos enfrentar esta grande montanha. Naquela época, mesmo havendo acabado de escalar o Everest, eu jamais poderia enfrentar o K2, eu sabia que para escalar a montanha mais difícil e perigosa do mundo eu não tinha ainda experiência suficiente. Foi assim que surgiu o "Projeto K2", ou seja, como Abele queria escalar todas as 14 montanhas com mais de 8 mil metros, e como fatalmente eu precisava adquirir mais experiência em montanhas com mais de 8 mil metros, resolvemos escalar algumas dessas montanhas juntos antes de enfrentar o K2.

(Observação: Até hoje, apenas 10 alpinistas em todo o mundo conseguiram escalar todas as 14 montanhas com mais de 8 mil metros, o primeiro foi Reinhold Messner, finalizando com a escalada do Lhotse, em 1986.)

O Projeto K2, sem dúvida, nasceu ousado. Não apenas porque queríamos escalar o K2, mas porque também incluímos entre os objetivos a escalada do Cho Oyo (8.201m), do Shisha Pangma (8.046m) e do Makalu (8.464m). E qualquer escalada de uma montanha de 8 mil metros, seja lá qual seja, não é nada fácil. Estas montanhas nós pretendíamos escalar em 1998, e então enfrentar o K2 em 1999. Mas infelizmente, um problema bem previsível, falta de dinheiro, fez com que mudássemos a nossa estratégia. Embora já havíamos conseguido o patrocínio de O Boticário e da Nutrimental, o dinheiro ainda não era suficiente para cumprir o que havíamos planejado, assim acabamos cortando o Makalu de nossa lista e antecipamos a escalada do K2 para 1998, aproveitando o convite de uma expedição italiana.

1998 tornou-se então um ano inesquecível, realizei a expedição mais longa da minha vida, viajando 5 meses seguidos pelas montanhas do Nepal, Tibete e Paquistão. Foi uma expedição intensa, cheia de momentos felizes, começando com um retiro espiritual pelo Khumbu, a região nepalesa do Everest, percorrendo sozinho o caminho que leva ao alto do Gokyo Peak, de 5.500m.

A caminhada até o Gokyo é tão fascinante quanto aquela que leva até o acampamento-base do Everest, com a vantagem que após Namche Bazar, a capital dos lendários sherpas, o caminho leva para regiões mais selvagens, longe dos turistas que lotam os lodges, o nde é mais fácil encontrar tranquilidade. Era justamente isso que eu estava buscando, tranquilidade, paz de espírito, para em breve enfrentar as montanhas com mais entusiasmo e determinação. E lá do alto do Gokyo, observando ao longe o Everest dourado pelas últimas luzes do entardecer, fiz a minha oração e adquiri uma espécie de força, como se houvesse feito uma simbiose com aquela natureza grandiosa que me rodeava.

Um Sonho Chamado K2 - A Saga de Waldemar Niclevicz na Montanha da Morte
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