Estimados Amigos!
Neste dia 29 de junho completa-se exatamente um mês que eu e o Irivan chegamos ao Brasil, após a escalada do Makalu. Mesmo depois de tantos dias, a sensação que tenho é que toda esta maravilhosa experiência mal terminou, ainda estou sentindo uma imensa felicidade, uma enorme satisfação, por ter realizado mais este grande sonho! Esta sensação é algo muito parecido com o que senti após a conquista do Everest e do K2, um bem estar comigo mesmo, uma gratidão a Deus, por tudo ter ocorrido conforme o planejado, por eu estar de volta, são, salvo e feliz!
Muito já aconteceu nestas quatro semanas, palestras, entrevistas, reuniões, escaladas e mais escaladas aqui pela Serra do Mar do Paraná, principalmente no Marumbi, uma das montanhas mais lindas do mundo, meu refugio! E enquanto a vida continua, cheio de desafios, surpresas e oportunidades, vou secretamente sonhando com futuras expedições. Minha vontade é de seguir rumo a próxima montanha agora mesmo, mas é preciso pôr os pés no chão, esperar o momento certo, ser racional! O importante é ter a consciência que motivos para continuar me aperfeiçoando não faltam, existem muitas, muitas montanhas que ainda quero escalar!
Mas vamos continuar falando do Makalu, que bela montanha! E para que você consiga entender todo este meu fascínio, vamos ver mais fotos, procurando descobrir o que cada uma delas pode nos transmitir.
Foto de abertura: O “menino” Carlos Soria, de 69 anos, que esbanjou vitalidade durante toda a expedição, chegando aos 7.100m, no dia que seguíamos rumo ao Makalu La, já durante o nosso ataque final. Este espanhol, amigo de outras montanhas, agora está no Paquistão, tentando superar os 8.068m de altitude do Gasherbrum I ou Hidden Peak, junto com ele está outro colega que fez parte da nossa equipe no Makalu, o colombiano Fernando Gonzalez (que antes de ir ao Makalu escalou o Dhaulagiri de 8.167m). Carlos já escalou 8 dos 14 Oito Mil, o Fernando 7!
Observe na foto, lá para baixo, as barracas do acampamento 1, que se dividiam em três grupos, desde os 6.650m até os 6.780m, onde estava a nossa. A subida ao Makalu La é o segundo trecho mais difícil de toda a escalada (o mais difícil é a chegada ao cume), é preciso superar uma parede de 500 metros de altura, praticamente toda em rocha. Na foto Carlos e Irivan aparecem no final do primeiro trecho de rocha, enfrenta-se então uma rampa de neve com 40º de inclinação e uns 200m de comprimento, para entrar no segundo e mais difícil trecho de rocha, onde a inclinação sobre para os 60º.
Foto abaixo à esquerda: O nosso acampamento 2 a 7.450m, que colocamos um pouco à direita do Makalu La, pois realmente no “La” ou “colo” o vento é muito forte. A nossa barraca é a ultima do lado direito, as outras eram de uma grande expedição francesa. Em vermelho está o caminho que percorremos para chegar ao cume. A parte mais difícil é a faixa de rocha, de 300 metros de altura, que é preciso atravessar para chegar até a Crista do Cume, com trechos de 3º e 4º de dificuldade em rocha, e inclinação que chegava até os 80º, isso entre os 8.100m e 8.400m de altitude.
Foto abaixo no centro: Um dos momentos em que ficou registrado o agradável companheirismo que tivemos em nossa equipe. Quem tirou a foto, esticando o seu braço, foi o Hernan, o primeiro do lado direito, argentino que mora na Colômbia, logo vem meu grande amigo Irivan, e o Pemba, nosso simpático e forte carregador de altitude. Estávamos no acampamento-base (5.700m) aproveitando para se re hidratar tomando chimarrão, na verdade um verdadeiro mate argentino, oferecido pelo Hernan.
Foto abaixo à direita: Um dos momentos mais esperados de toda a expedição, quando chegamos na Crista do Cume, depois de superar o “interminável” trecho de rocha. O Irivan aparece no lado direito da foto, extasiado tanto quanto eu pela beleza da paisagem. Estávamos entre dois abismos, suspensos na fronteira entre o Nepal e o Tibet, apenas a algumas dezenas de metros do ponto mais alto do Makalu (8.463m), aonde chegamos às 11:05hs daquela linda manhã do dia 11 de maio!
Um grande abraço,
Waldemar Niclevicz