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Rota da escalada a ser enfrentada no Everest e no Lhotse.

19/12/2002
Expedição O Brasil no Topo do Mundo,
durante o Ano Internacional das Montanhas, 2002.
A conquista do LHOTSE (8.501m).


A Expedição O Brasil no Topo do Mundo foi mais uma grande experiência de vida, onde procuramos mostrar aos brasileiros a garra do nosso povo e a superioridade da nossa Mãe Natureza.

 

Tínhamos dois desafios respeitáveis nesta expedição, o Everest e o Lhotse. Infelizmente, fomos obrigados a desistir do Everest, devido a ameaça constante das avalanches. Mas acabamos conquistando o Lhotse, que apresenta uma escalada bem mais técnica e difícil.

 

Acreditamos que a inédita conquista do Lhotse, a quarta maior montanha do mundo, com 8.501m de altitude, representa mais um marco importante na história do esporte brasileiro, neste que é o Ano Internacional das Montanhas.

 

Ver a Bandeira Brasileira tremular no alto do Lhotse nos encheu de orgulho e nos trouxe a certeza que para o homem que tem fé, não há limites nem sonhos que não possam ser realizados.

 

Nós, Irivan, Alir, Marcelo, Paulo e eu, agradecemos profundamente a sua torcida e a rara oportunidade que nos foi dada pelos nossos patrocinadores (O Boticário, Volkswagen, Petrobrás, Tissot, Club Social, ChocoBis e Nera) de honrar a nossa Bandeira nas alturas do Himalaia, culminando com a conquista do Lhotse (8.501m), às 09:30 do dia 5 de outubro de 2002, hora local, Nepal.

 

A escalada do Lhotse foi uma daquelas para a gente nunca mais esquecer!

 

Escalada difícil, nada de caminhada morro acima, deste a partida do nosso último acampamento, que estava a 7.860m de altitude, nada mais que uma pequena barraca, apertada numa plataforma que escavamos na neve.

 

O nosso ânimo poderia ser dos piores, uma vez que havíamos passado duas noites no Colo Sul, 8.000m, e de lá havíamos descido sem ter chegado ao cume do Everest. Realmente estávamos frustados, mas ao escapar da ventania congelante daquelas alturas, ao cruzar o Esporão de Genebra na descida, e se abrigar do vento no Flanco do Lhotse, começamos a perceber um outro lado da vida da montanha, aquele lado protegido do vento, aquecido do sol, que nos permitia contemplar o horizonte cortado por infinitas montanhas.

 

E assim nos abrigamos no acampamento 4 do Lhotse, sentindo dentro da barraca o mormaço do sol e, ao contemplar a vista, uma serenidade Divina, que nos contagiava a cada minuto. Veio um entardecer espetacular, que deixou a montanha púrpura e silenciosa, sem nenhuma brisa. Um presente de Deus.

 

Irivan e eu relaxamos, e nossos sonhos tomaram conta de nossos pensamentos. A noite foi curta, e lá pelas 3 da manhã estávamos fora da barraca, debaixo de um céu infinitamente estrelado, pronto para subir, subir até o ponto mais alto do Lhotse.

 

Três sherpas saíram na frente, seguidos pelos seus quatro coreanos. Nós saímos cerca de meia hora depois, realmente com a intenção de nos poupar, pois havíamos nos desgastado bastante na tentativa de escalar o Everest. Esse era nosso plano, mas se os coreanos fossem muito devagar, nós os ultrapassaríamos. Felizmente eles foram num bom ritmo, sempre uns cem metros acima de nós.

 

Assim, mantendo um bom ritmo, a mesma distância entre os coreanos, fui seguindo com entusiasmo. Ao olhar para cima, observando as torres do cume cortando o céu estrelado, era impossível não perceber as inúmeras estrelas cadentes, um espetáculo a parte. Volta e meia eu me voltava para o Everest, observando as luzes da expedição japonesa lentamente ganhar altitude, e nessas ocasiões sempre me perguntava, será que vão conseguir? (Infelizmente não conseguiram). E em cada parada que fazia para retomar o ritmo da minha respiração, me voltava para baixo, fazia um sinal com a mão, como que perguntando para o Irivan se tudo estava bem, somente após receber uma confirmação que sim, através de outro aceno, é que voltava a subir.

 

Tínhamos cerca de 700m de altura a superar, divididos praticamente em duas partes. A primeira parte uma grande rampa de neve, que começava com uns 45 graus de inclinação, e terminava pouco depois dos 8.150m de altitude, nas bases das torres de rocha, com cerca de 50 graus de inclinação. Até ai tudo bem, vários trechos estavam equipados com cordas fixas, colocadas pela expedição japonesa do Takahashi, que havia feito o cume no dia 3 de outubro.

 

Depois o caminho seguia por um grande corredor entre as torres de rocha, até o cume. A princípio tivemos que enfrentar alguns trechos de misto, rocha e gelo, de mais de 60 graus de inclinação, na parte onde o corredor é mais estreito, cerca de apenas 2 metros de largura, sem dúvida o trecho mais difícil, e sem cordas fixas. Depois o corredor ficou mais amplo, com uns 15 metros de largura, sempre com uns 50 graus de inclinação, sem cordas fixas. Nesta parte já era dia e sempre que olhava para baixo para cumprimentar o Irivan, era impressionante observar a altura que estávamos, qualquer escorregão seria fatal.

 

Por fim, a uns 40 metros abaixo do cume, o corredor chegava ao fim. Lá no alto os coreanos se equilibravam no cume, como na ponta do fio de uma navalha. Ali esperei o Irivan, e nossos colegas descerem do cume e irem embora. Então chegou a nossa vez. Subimos esses últimos 40 metros, que pareciam não terminar nunca, e levamos um susto imenso, ao perceber o quanto agudo é o cume, realmente um pico suspenso entre o céu e a terra, onde cabem apenas duas pessoas, bem apertadinhas. Precipícios por todos os lados. Paredes verticais despencando no vazio. A vista deslumbrante por todos os lados. Montanhas e mais montanhas.

 

Ficamos no cume do Lhotse 2 horas e meia, graças ao vento que nos deu uma trégua, e ao sol que nos ajudou a suportar o frio de 28 graus negativos, contemplando a beleza do Everest, do Makalu, do Kanchenjunga, do Cho Oyo e do Shisha Pangma (todas montanhas com mais de 8 mil metros). A descida foi nervosa, em razão da inclinação acentuada e da altura em que nos encontrávamos. Levamos duas horas para alcançar nosso acampamento 4, e logo mais 3 horas para ir até o acampamento 2, onde passamos a noite.

 

Clicando nos links abaixo, você pode viver a emoção de cada um dos dias da Expedição o Brasil no Topo do mundo, através de relatórios e fotos, que foram enviados via satélite diretamente do Himalaia.


Visite uma montanha e saiba porque este ambiente rico em água
e biodiversidade é de importância vital para a humanidade.


Um Sonho Chamado K2 - A Saga de Waldemar Niclevicz na Montanha da Morte
Um Sonho Chamado K2 - A Saga de Waldemar Niclevicz na Montanha da Morte
Não deixe de ler a narrativa da conquista brasileira do Everest. Nova edição, revisada e ampliada.
Vídeo da conquista do Everest por Niclevicz pelo Tibet, imperdível!
Waldemar Niclevicz no cume do Lhotse (8.501m) no dia 5 de outubro de 2002. Foto de Irivan Burda.
Irivan Gustavo Burda no cume do Lhotse (8.501m), no dia 5 de outubro de 2002. Foto de Niclevicz.
O Makalu (8.464m) e o Kangchenjunga (8.598m) (no horizonte), vistos do cume do Lhotse. Foto de Niclevicz.
O Everest (8.848m), visto do cume do Lhotse. Foto de Niclevicz.
Irivan Gustavo Burda, na rampa final (na sombra, escuro) que leva ao cume do Lhotse. Foto de Niclevicz.
Waldemar Niclevicz, chefe da Expedição O Brasil no Topo do Mundo.
Waldemar Niclevicz, Marcelo Bonga e Irivan Burda no cume do Illampu (6.368m), principal montanha escalada na Bolívia durante o treinamento para o Everest.
Dois alpinistas seguindo em direção ao corredor que leva ao cume do Lhotse. Foto de Niclevicz.
Irivan Burda no acampamento 4 (7.860m) do Lhotse. Foto de Niclevicz.
O Lhotse (8.501m), visto do acampamento 2 (6.500m). Foto de Niclevicz.
Deu fome durante a escalada? Club Social e Choco Bis, uma delicia!!!!
Este
O acampamento 2, 6.500m, ao fundo a imponencia do Lhotse. Foto de Niclevicz.
Em pleno Flanco do Lhotse. Foto de Niclevicz.
A profundidade das gretas ultrapassadas na Cascata de Gelo, sempre assustadoras. Foto de Niclevicz.
O antigo acampamento 1 (6.150m), completamente destruido por uma avalanche.
O Lhotse (8.501m), visto do acampamento 1.
Pontes improvisadas com escadas de aluminio, a unica solucao para superar a Cascata de Gelo. Foto de Niclevicz.
Na parte superior da Cascata de Gelo, a encosta do Nuptse (7.861m). Foto de Niclevicz.
Chegada ao acampamento-base. Foto de Niclevicz.
O Pumori (7.165m) e o Cho Oyo (8.201m), vistos do acampamento 3. Foto de Niclevicz.
O caos de blocos de gelo da Cascata de Gelo. Foto de Niclevicz.
No inicio do Vale do Silencio. Foto de Niclevicz.
Ate no Vale do Silencio foram utilizadas escadas para superar as gretas. Foto de Niclevicz.
Os dois grandes desafios da Expedicao o Brasil no Topo do Mundo, o Everest, a esquerda, e o Lhotse, a direita. Foto de Niclevicz.
O acampamento 3, 7.300m. Foto de Niclevicz.
O por do sol visto do acampamento 3, 7.300m. Foto de Niclevicz.
Partindo do acampamento 2, 6.500m, em direcao ao Flanco do Lhotse. Foto de Niclevicz.
A equipe brasileira que esta enfrentando o Everest.
O acampamento 3, 7.300m. Foto de Niclevicz.
 

 
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